terça-feira, 15 de junho de 2010

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Vivi um namoro assim, um amigo que gostava de mim, que ao fim de dois anos de andar a pedir namoro, cedi.

Afinal já estava com idade de namorar. Todas as amigas namoravam, ainda não tinha acabado o luto duma grande paixão, adolescente, mas paixão. Pensei, é amigo, damo-nos bem, gosto dele, o amor acontece...

Mas não aconteceu, comecei a ver que não era amigo, só queria conquistar-me, os meus amigos eram meus amigos e ele não gostava deles. Os amigos dele eram nossos amigos...

Veio o sexo, horrível, pois eu era muito igénua, virgem e com uma educação muito rígida, sexo só depois do casamento, depois de namorar um (leia-se f***) mais nenhum te quer... Sabia que não era assim mas era mais forte que eu - o pensamento...
Para ele, preliminares era apertar duas vezes as mamas e pronto já está. Eu com uma vergonha imensa do meu corpo, sem perceber nada na prática...

O meu maior sonho, morar sozinha. Ao fim de um ano de namoro, tive uma discussão terrível com os meus pais, nem sei porquê, em que ameacei sair de casa, resposta do namorado quando disse que pensava ir morar sozinha: engravidas e a gente casa. Pensei, mas ele é parvo? Para casar é preciso engravidar? Eu quero ir morar sozinha... não casar.

Por sorte, apesar de ser a ovelha ronhosa da família sempre tive muito juízo.

Saí muito cedo da escola por opção própria, em casa dos meus pais quem não estudava, trabalhava. Aos dezassete tinha voltado à escola, fiz o 12ª aos vinte e três, e entrei na faculdade, a 130kms de casa.

Comecei a viver a minha vida, a abrir horizontes que só a leitura não abria...

Comecei a ver que eu ia todos fins-de-semana a terra, estudava de dia e trabalhava à noite. Eu não estava cansada para fazer 130kms, ele estava...

O sexo continuava o mesmo...

Ele falava no casamento, ele comia em casa da mãe durante o fim-de-semana, e eu quando fosse à terra limpava a casa e lavava a roupa. Eu tinha pesadelos com o casamento, via-me vestida de noiva a desmaiar a caminho do altar.

Até que um dia tive coragem de olhar ao espelho e dizer: não gosto dele, não quero casar com ele, a culpa é só minha mas não dá. Disse isso a uma amiga, demorei mais 3 meses para lho dizer a ele...

Mais tarde descobri que afinal ele apesar da fama de bonzinho não valia nada para os meus padrões, descobri 6 meses depois do deixar que eu tinha uns cornos maiores que o boi da beira, porque para ele isto de ir às meninas não é encornar...
Hoje estou casada há 7 anos, após 1 ano de namoro, tem altos e baixos, muitos baixos, mas adoro o meu marido e não o quero perder, tenho a certeza que ele pensa o mesmo...

Devo dizer que comecei aquele namoro aos 19 e durou até aos 25 anos e meio, foram 6 anos e meio de engano a mim mesma, em que nem eu conseguia encarar a realidade.

Agradeço ao "Rui", gajo jeitoso que conheci na noite, por quem tive uma perdição, que não foi além duma curte após o término do namoro. Se não fosse essa perdição talvez nunca tivesse olhado no espelho... e hoje seria uma infeliz...

Perdoa pelo testamento.

Mas quando vejo estes casos penso logo em mim e em como quase me perdi.
14 de Junho de 2010 23:32

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